Por que falamos tanto de métodos e técnicas em #UX?

25 Aug 2010 - 2:20pm
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Posted in:
Mauricio Lelis
2009

A todo instante nos deparamos com posts e mais posts falando sobre técnicas que fazem parte do exercício profissional do profissional de design de interação, do especialista em experiência do usuário. Mas apenas fazem parte.

Aquele que deseja se profissionalizar é ansioso por conhecer mais sobre como fazer um sitegrama, construir personas, elaborar e conduzir grupos de foco, pesquisa etnográfica, etc. Nos preocupamos muito em incluir estes processos em nossos projetos, e nos frustramos quando o cliente não os entende, ou desprezam. 
 
Ele não vai, nem quer entender. É preciso ser e ter mais que uma tábua de mandamentos.
 
Quando vamos ao médico,  buscamos uma solução para algo anormal. Não perguntamos a ele se, para descobrir o motivo de uma recorrente dor de cabeça que não lhe deixa trabalhar como deveria, ele vai lhe diagnosticar uma tomografia axial computadorizada. E dificilmente, vai pedir que lhe explique quando o resultado chegar, sobre a maneira como ele vai avaliar o HU nas regiões capturadas.
 
Para nós, pontos como tranquilidade, interesse nas particularidades do nosso caso e simplicidade para encontrar soluções, podem soar bem melhor que uma receita detalhada.

Também  seria normal perguntar a ele que exames terá que fazer, e no máximo, quanto cada um deles vai lhe custar. 

 Alheio a questões subjetivas ou específicas, como qualificação ou caráter do profissional, esta seria a postura normal de quem é atendido por um profissional da medicina. Acreditamos em seu diagnóstico e alienamos a ele uma solução, com a nossa cooperação: cumprindo com o que foi receitado.


Um médico ou outro profissional qualquer está sempre a realizar leituras para construir seu diagnóstico. inforgrafia:institutoinforma.com.br


 
Geralmente, os questionamentos sobre as indicações do um médico são feitos na medida do:

  • nível de eslcarecimento do servido: o quanto o paciente conhece sobre aquilo que o médico faz. Apenas os realmente entendidos, como outros médicos, ou "presumidos entendidos" vão realizar questionamentos mais profundos sobre suas indicações ou leituras;
  • nível de investimento que ele pode fazer: quais as suas limitações financeiras, ou do plano, que podem interferir na execução dos exames.

O momento do design de interação, apesar de toda a aceleração do conhecimento que a era da informação favorece, é como ao de algumas profissões mais tradicionais, séculos atrás. 

Não seria um impropério comparar situações de desautorização e desconfiança que sofrem alguns profissionais do design de interação em suas recomendações, como aquelas do início do século XIX que sofreram os médicos, quando suas recomendações ao bem da saúde pública foram repudiadas, levando à Revolta da Vacina.
 
Conflito entre as ações positivas e o desconhecimento: os médicos já passaram por isso. 

Evidente que nós não possuímos (ainda) uma criticidade tão alta no exercício profissional quanto a de alguns especialistas médicos. Nossa criticidade está no sucesso das pessoas em resolver problemas através da interações com artefatos. E fazer isso bem requer qualificações que nos abonam como especialistas com enorme responsabilidade para a sociedade.

Discutir sobre as técnicas é importante, sobretudo para amadurecer a visão sobre elas e evoluí-las.

Empregná-las na malha social a ponto de serem bem conhecidas e aceitas, no entando, requer tempo. 

Os profissionais precisam entender sobre as técnicas e dominá-las em suas especialidades, para que possamos melhor servir, e clarificar a importância do exercício de nossa profissão, mesmo não sendo as técnicas tudo que somos.

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